quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Como um advogado termina um namoro


Prezada senhorita,


Face aos acontecimentos em nosso relacionamento, venho por meio desta, na qualidade de homem que sou, apesar de V Sa. não me deixar demonstrar, uma vez que não me foi permitido devassar vossa lascívia, retratar-me formalmente, de todos os termos até então empregados à sua pessoa, o que faço com supedâneo no que segue:


A) DA INICIAL: MÁ-FÉ DE VOSSA SENHORIA

1. CONSIDERANDO QUE nos conhecemos na balada e que nem precisei perguntar seu nome direito, para logo chegar te beijando;

2. CONSIDERANDO seu olhar de tarada enquanto dançava na pista esperando meu approach;

3. CONSIDERANDO QUE com os beijos nervosos que trocamos naquela noite, V.Sa. me induziu a crer que logo estaríamos explorando nossos corpos, em incessante e incansável atividade sexual. Passei então, a me encontrar com Vossa Senhoria.


B) DOS PREJUÍZOS

1. CONSIDERANDO QUE fomos ao cinema e fui eu quem pagou as entradas e também o jantar após o filme;

2. CONSIDERANDO QUE já levei V. Sa. em boates das mais badaladas e caras, sendo certo que fui eu, de igual sorte, quem bancou os gastos;

3. CONSIDERANDO QUE até à praia já fomos juntos, sem que Vossa  Senhoria gastasse um centavo sequer, eis que todos os gastos eram por mim experimentados, e que V.Sa. não quis nem colocar biquíni alegando que estava ventando muito.


C) DAS RAZÕES DE SER DA PRESENTE

1. CONSIDERANDO AINDA QUE até a presente data, após o longínquo prazo de duas semanas, V.Sa. não me deixou tocar, sequer sua panturrilha;

2. CONSIDERANDO QUE Vossa Senhoria ainda não me deixa encostar a mão nem na sua cintura com a alegação barata de que sente cócegas;

NOTIFICO SOBRE NOSSO RELACIONAMENTO O SEGUINTE:

1. Vá pra %#& que te pariu, pois eu não sou mais moleque e sexo, para mim, não é um lazer, mas sim uma necessidade;

2. Não me venha com balelas de que pensava que eu era diferente;

3. Saiba que vou te processar por me iludir aparentando ser a mulher dos meus sonhos, e, na verdade, era a mulher dos meus pesadelos, que só me  fez perder tempo, dinheiro, e jogar elogios fora, além de me abalar emocionalmente.

Sinceramente, sem mais para o momento, receba o meu cordial "bye-bye", dando aqui por encerrado o nosso relacionamento, nada mais subsistindo entre nós, salvo o seu dever de indenização pelos prejuízos causados, ou imediata retratação.

Sem mais para o momento,

P. Deferimento.

sábado, 16 de junho de 2012

Só Paraibano Entende

Estu dia, fui falá cu dotô delegado dum causo que s'assucedeu pur essas banda. Era um cabra que vivia à fiúza dur minino, obrigando ur tadim a tocá e fazê presepada na feira e, o qui apurava só ficava pra ele. Ur bixim usava umas calça tão folé qui só sigurava cum imbira e quasi dava nó na tripa purquê elis num tinha nem uma guiné pra inchê o bucho. Mas o delegado engabelou e não fez nada. Ele merecia era um tabefe no pau da venta pru módi ele s'ajeitá. Só qui, paruano, vem um delegado novo e, se ele fô caceteiro, num instante ele arresolve isso, qu'é pra mar nunca o sujeito judiá dur minino.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

On the telephone


Imagine se este diálogo aparecesse em um filme ou seriado, como seria dublado ou legendado?


SPEKE: Are you there? Are you there?
WATT: No, I’m here.
SPEKE: What’s your name?                                                                                    
WATT: Watt.
SPEKE: Can’t you hear? What’s your name?
WATT: Watt’s my name.
SPEKE: Yes, what’s your name?
WATT: My name’s Watt.
SPEKE: I’m asking you.
WATT: I’m called Watt.
SPEKE: I don’t know.
WATT: I am Mr. Tom Watt.
SPEKE: Oh, I’m sorry. I didn’t understand.
WATT: Who are you?
SPEKE: Speke.
WATT: I’m speaking. What’s your name?
SPEKE: No, it isn’t. My name’s Speke. I want to speak to Day.
WATT: You can speak today. I can hear you.
SPEKE: I don’t want you to hear me. I want to speak to Day.
WATT: At what time?
SPEKE: Now! I want to speak to Day. To Day! To Day!
WATT: It’s today now, Speke. Speak, Speke.
SPEKE: But I want to speak to Mr. Henry Day now.
WATT: Oh, I’m sorry. You can’t speak to Day today. He doesn’t want to speak to Speke today. He told me so.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Quem mandou votar no "homi"?

É incrível, mas a cada dia que passa, ainda conseguimos nos surpreender com a cara de pau e a falta de escrúpulos dos políticos, mesmo sabendo que eles sempre aprontaram e vão continuar aprontando independente de quem esteja no comando do poder. Desta feita, a safadeza ficou por conta de Gilberto Kassab, prefeito da maior e mais rica cidade do país. Esse prefeito resolveu aumentar o próprio salário para cerca de 20 mil reais e o dos vereadores em 250%. Chega até a doer nos ouvidos as colocações dos beneficiados justificando mais esta punhalada na sofrida classe trabalhadora que tem de se contentar com o ínfimo aumento do salário mínimo no início do ano e, com esse salário, ter de fazer milagres para sobreviver e pagar todas as suas contas e dívidas enquanto os "representantes do povo" ganham rios de dinheiro e, ainda por cima, tem suas mordomias que fazem seu salário multiplicar e muito todo mês. Até mesmo o cantor Agnaldo Timóteo chegou a defender essa safadeza dizendo: “O treinador do Santos ganha R$ 1 milhão por mês, então um homem que dirige uma cidade de 11 milhões de habitantes não pode ganhar R$ 20 mil – isso é uma cascata. O prefeito de uma cidade como São Paulo deve ganhar, na pior das hipóteses, ‘100 pau’. O cachê da Ivete [Sangalo] é 500 [mil reais], do Luan [Santana] é 500 [mil reais]”. Como se isso justificasse a ganância de quem já ganha tanto para ajudar a população e nada faz em benefício dela. Esse episódio ocorrido em São Paulo não é exclusividade de lá. Em todo o Brasil se vê prefeitos, governadores e até presidente usar desse mesmo recurso: aumentam o próprio salário e, para ter aprovação do legistivo (câmara, assembleia e senado), aumenta também o dos vereadores, deputados e senadores. Até quando seremos governados por quem só pensa em seu próprio umbigo e só "vê" o pobre em época de eleição?

quinta-feira, 30 de junho de 2011

A gente somos inútil

Em seu comentário no rádio, o jornalista Alexandre Garcia disse que um professor precisa trabalhar 40 horas semanais para receber cerca de 700 reais mensais enquanto um vereador “trabalha” só 5 horas semanais e recebe cerca de 7 mil reais por mês; ele repetia como em uma ladainha: “Vereador, pra quê?”. De fato, se analisarmos essa situação, veremos que um vereador realmente não faz a menor falta para a população. O que se vê, são os ocupantes desse cargo só comparecerem ao serviço durante seis meses do ano, tendo direito a seis meses de recesso. De acordo com a Lei, a função do vereador é fiscalizar os atos do Poder Executivo e criar leis para beneficiar a população, mas o que vemos são os vereadores da situação sempre defendendo o prefeito em toda e qualquer circunstância para não peder os empregos e outras mordomias que a família dele “tem direito”; já os vereadores de oposição sempre criticando os atos do prefeito porque não estão mamando nas tetas da prefeitura. Quando um vereador da oposição muda para a situação, pode ter certeza de que conseguiu empregos comissionados, agregamento de veículos e outras vantagens em nome de seus parentes. Quando um vereador da situação muda para a oposição, geralmente é porque perdeu uma “boquinha” ou queria mais do que os colegas da bancada e lhes foi negado. O que mais se vê em todo o país são projetos impopulares sendo aprovados pela maioria dos vereadores porque, nas vésperas da votação receberam “um por fora” do prefeito e, com isso, tanto os da situação quanto boa parte da oposição votam favorável ao referido projeto. Volta-nos à mente a pergunta do jornalista: “Vereador, pra quê?” se eles não fazem quase nada em benefício da população. Sabemos que um vereador sozinho não é nada, precisa-se de, pelo menos, a metade deles mais um para se aprovar um projeto. Mas sempre há o jogo sujo do “venha mais” para comprar a “consciência” dos vereadores e quem sofre com isso é o povo que continua sem saber escolher seus “representantes”.

sábado, 21 de maio de 2011

Aparências

O eu que hoje eu vejo
Não é o eu que eu sou
Nem é o eu que desejo
E outro rumo tomou

Não faz mais parte de mim
O eu que outrora fui
Perdeu-se, sumiu, levou fim
Um outro eu o substitui

Aquele eu do passado
Que via um mundo de cor
Sentiu-se tão magoado
Que outro mundo criou

Surgiu, então, um novo eu
Forte, agressivo, audaz
Com o qual ninguém se meteu
Derrotá-lo ninguém é capaz

Este é o eu conhecido
O eu que a todos apraz
Enquanto o eu adormecido
Dele ninguém lembra mais

domingo, 19 de dezembro de 2010

Natal sem Noel

Estou preparando a minha árvore de Natal. Quero que ela seja viva, mas não quero que seja exterior. Eu a quero dentro de mim. Tenho medo das exterioridades. Elas nos condenam. Ando pensando que o silêncio do interior é mais convincente que o argumento da palavra.
Quero que minha árvore seja feita de silêncios. Silêncios que façam intuir felicidade, contentamento, sorrisos sinceros.
Neste Natal não quero mandar cartões. Tenho medo de frases prontas. Elas representam obrigação sendo cumprida. Prefiro a gratuidade do gesto, o improviso do texto, o erro de grafia e o acerto do sentimento. A vida é mais bonita no improviso, no encontro inesperado, quando os olhares se cruzam e se encontram.
Quero que minha árvore seja feita de realidades. Neste Natal quero descansar de meus inúmeros planos. Quero a simplicidade que me faça voltar às minhas origens. Não quero muitas luzes. Quero apenas o direito de encontrar o caminho do presépio para que eu não perca o menino Jesus de vista. Tenho medo de que as árvores muito iluminadas me façam esquecer o dono da festa.
Não quero Papai Noel por perto. Aliás acho essa figura totalmente dispensável! Pode ficar no Pólo Norte desfrutando do seu inverno. Suas roupas vermelhas e suas barbas longas não combinam com o calor que enfrentamos nessa época do ano. Prefiro a presença dos pastores com seus presentes sinceros.
Papai Noel faz muito barulho quando chega. Ele acorda o menino Jesus, o faz chorar assustado. Os pastores não. Eles chegam silenciosos. São discretos e não incomodam...
Os presentes que trazem nos recordam a divindade do menino que nasceu. São presentes que nos reúnem em torno de uma felicidade única. O ouro que brilha, o incenso que perfuma o ambiente e a mirra com suas composições miraculosas.
O papai Noel chega derrubando tudo. Suas renas indisciplinadas dispersam as crianças, reiram a paz dos adultos. Os brinquedos tão espalhafatosos retiram a tranquilidade da noite que deveria ser silenciosa e feliz. O grande problema é que não sabemos que a felicidade mais fecunda é aquela que acontece no silêncio.
É por isso que neste Natal eu não quero muita coisa. Quero apenas o direito de recolher o pequenino menino na manjedoura... Quero acolhê-lo nos braços, cantar-lhe canções de ninar, afagar-lhe os cabelos, apertar-lhe as bochechas, trocar-lhe as fraldas para que não tenha assaduras e dizer nos seus ouvidos que ele é a razão que me faz acreditar que a noite poderá ser verdadeiramente feliz.
Neste Natal eu não quero muito. Quero apenas dividir com Maria os cuidados com o pequeno menino. Quero cuidar dele por ela. Enquanto eu cuido dele, ela pode descansar um pouquinho ao lado de José. Ando desfrutando nos últimos dias o desejo mais intenso de que a vida vença a morte.
Talvez seja por isso que ando desejando uma árvore invisível. O único jeito que temos de vencer a morte é descobrindo a vida nos pequenos espaços. Assim vamos fazendo a substituição. Onde existe o desespero da morte eu coloco o sorriso da vida.
Façam o mesmo!
Descubram a beleza que as dispersões deste tempo insistem em esconder. Fechem as suas chaminés. Visita que verdadeiramente vale à pena chega é pela porta da frente.
Na noite de Natal fujam dos tumultos e dos barulhos. Descubram a felicidade silenciosa. Ela é discreta, mas existe! Eu lhes garanto!
Não tenham a ilusão de que seu Natal será triste porque será pobre. Há mais beleza na pobreza verdadeira e assumida que na riqueza disfarçada e incoerente. O que alegra um coração humano é tão pouco que parece ser quase nada. Ousem dar o quase nada. Não dá trabalho, nem custa muito...
E não se surpreendam, se com isso, a sua noite de Natal tornar-se inesquecível.

Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Feliz Natal a todos!

“Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado!” [Isaías 9,6]

Aproxima-se a celebração do Natal de Jesus. De que modo acolhemos o Menino que nasce? Esta é uma importante pergunta, pois sua resposta nos conduzirá a uma melhor vivência no seguimento de Cristo. E para que isso aconteça é necessário compreendermos o modo Jesus foi acolhido pelos primeiros que contemplaram o seu nascimento.
A primeira acolhida – feita pelos pastores – é de fácil compreensão, dada a semelhança entre os pastores e a Sagrada Família. Podemos deduzir do Evangelho que os pastores que para ali se dirigem não são homens de grandes posses ou riquezas, pois durante a noite cuidam do rebanho de alguém, ou simplesmente pastores pobres que vigiam o próprio rebanho. Noites frias e outras penúrias não eram algo raro. Deste modo, não se esquivam da obrigação de acolher e cuidar do Menino que nasce. A aparição do anjo fortalece a relação de Deus com os mais pobres que não têm a quem recorrer, por isso os gestos de amor, cuidado e solidariedade. Se Deus cuida de mim que sou pequeno, por que não haveria de cuidar dos menores que estão à minha volta? Ao atender o chamado do anjo, os pastores confirmam a sua vocação de protetores e zeladores da vida.
A segunda acolhida – feita pelos Reis Magos – é um tanto mais complexa. Ela revela a compreensão que os magos tinham de Jesus, e também a verdadeira compreensão do que será a vida do Emmanuel, o “Deus conosco”.
O Evangelho de São Mateus não precisam quantos eram os Reis Magos. Pela quantidade de presentes comumente diz-se que eram três. Conforme a tradição, eram do Oriente: guiados pela estrela, acorreram ao local do nascimento de Jesus, levando-lhe oferendas. Primeiro se acreditou que eram sábios astrólogos, membros da classe sacerdotal de alguns povos orientais, como os caldeus, os persas ou os medos. Ao longo dos séculos foi-se acrescendo a esse episódio uma série de informações que deram um perfil peculiar a cada um deles. A partir do século VI, a Igreja passou a considerá-los reis e lhes nomeou: Melquior (“meu rei é luz”), Gaspar (“aquele que vai inspecionar”) e Baltasar (“Deus manifesta o rei”). Além disso, atribuiu a cada um características das três raças humanas existentes. Melchior seria o representante da raça branca, europeia, e dos descendentes de Jafé; Gaspar pertenceria à raça negra, proveniente da África, descendente de Cam; Baltasar representaria a raça amarela, habitante da Ásia e descendente de Sem. O Evangelho nos mostra, assim, que mesmo os povos distantes e de culturas diferentes reconhecem em Jesus o Messias, o Salvador do mundo.
Os presentes ofertados a traduzem a compreensão de realeza atribuída ao Menino. Melquior entregou-Lhe ouro em reconhecimento da realeza; Gaspar, incenso em reconhecimento da divindade; e Baltasar, mirra em reconhecimento da humanidade.
Os presentes podem, num primeiro momento, nos confundir em relação à vocação de Jesus e à sua vida de serviço, doação e ação de graças, já que esses presentes apontam para a nobreza e realeza daquele a quem são ofertados.
Na verdade, os presentes dos Reis Magos revelam verdadeiramente a vocação de Jesus. O ouro, o incenso e a mirra figuram a real vocação do Filho de Deus. Vejamos.
A beleza e a raridade do ouro são ressaltadas pela capacidade de alcançar novas formas sem esconder a sua essência. Uma pequena porção de ouro em peças comuns faz com que se tornem valiosas, mediante a manipulação cuidadosa de um bom artesão. Assim foi a vida e a ação de Jesus. Agindo como artesão, tornava grandiosos os gestos mais simples. Ao ofertar ouro, os Reis Magos reconheciam em Jesus toda a sua grandiosidade frente o modo que ele conduziria sua vida entre os homens.
O incenso tem como significação elevar-nos a Deus, criar harmonia. Por meio de seu perfume traz a paz e devolve ao homem a tranquilidade, o que possibilita concentrar-se em Deus, voltar à mente Àquele que é o verdadeiro sentido da nossa vida. Deve-se entender que o incenso não é a fumaça, mas o aroma exalado, que conduz a nossa alma a Deus. Por outro lado, a fumaça produzida torna-se sinal de que nossos anseios, desejos e preces sobem até Deus. Como a chama que consome a matéria e a transforma em fumaça, assim é o amor de Deus, que decompõe nossas fraquezas e nos devolve a esperança, perfume que se espalha e acalma os nossos desejos, devolvendo-nos a paz em Deus. Assim será a vida de Cristo: um constante consumir-se em Deus, que como incenso queima dia a dia, espalhando o odor de Deus por onde passa, ou seja, a sua presença traz harmonia, nos acalma, consola e conforta. E nos devolve ao caminho de Deus.
A mirra era conhecida pelo seu perfume, e sua suavidade representa a unção. Tem como primeiro uso o terapêutico. Era usada nos campos de batalha pelos guerreiros egípcios, evitando inflamações resultantes de arranhões ou cortes. Jesus, no seu dia a dia, será como a mirra. A sua ação irá curar desde pequenos arranhões aos mais profundos cortes dentro de uma sociedade. Será o médico de corpos e almas em meio ao corpo de batalha que é a vida e a própria mirra que cura e devolve a vida e o ânimo aos homens.
Os Reis Magos ofertaram presentes materiais a Cristo, e foram presenteados com o mais nobre presente que podemos receber de Deus. O evangelista relata que eles não voltaram pelo mesmo caminho (cf. Mateus 2,12), ou seja, se converteram. E este deve ser o nosso grande desejo: ao estarmos na presença do Menino Deus, possamos verdadeiramente nos converter. Pois foi para isso que “um menino nasceu para nós”.

ARAÚJO, Ennis Cláudio.Cavaleiro da Imaculada. Cidade Ocidental-GO, ano 32, n. 369, p. 21-23, dez. 2010.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Luz do Meu Olhar

Ela não vê que eu estou na sua frente
E que sempre estou presente quando sente a solidão
Ela não vê que eu estou sempre ao seu lado
Como um louco apaixonado delirando de paixão
Ela não vê que eu leio seu pensamento
E que meu grande tormento é não ter seu coração
Ela não vê que faz parte da poesia
Que componho todo dia mergulhado na ilusão

Ela só vê o escuro do seu mundo
Tão amargo e profundo
Quanto sua obsessão
Ela só vê a beleza e o ouro
Onde reside o tesouro
A pedra no seu coração

Ela não vê como é bela a Natureza
Que é cheia de beleza e espalha o amor
Ela não vê que existe felicidade
Que apaga a saudade aquecendo com calor
Ela não vê que é a luz do meu olhar
Que ao me apaixonar o meu mundo escureceu
Ela só vê através da minha luz
Agora quem a conduz com certeza não sou eu

domingo, 13 de junho de 2010

Um Curioso Documento que se Presume Datar de 1875

“Ilmo. sr. Imperadô – Amigo Senhô – Antonio Pire de Oliveira. Vurgamente conhecido pur Tunico Paçoca, morador no arraiá do Sapecado e Juiz de pais do mesmo mencionado arraiá, vem por meio da apena adeclará para voça eccelenticima o que abaixo vai dizê: Appareceu aqui um Tar Diunizo que intentô virá o povo na lei do protestante, maçono e arrepublicano, adecrarando que voça Sinhoria é bobo que faz de nois pau de amarrá egua. Eu im vista das formação que tive pur quexa do spetor, prendi em suffragante o referido Diunizo que se acha amarrado legarmente dos peis e das mãos com corda pur não havê argema, e purtanto eu peço a vossa Sinhoria que me arresponda cum toda brividade o que qué que eu faça do bicho o quar eu tenho maltratado pior du que um caxoro. Na minha umirde upinião ele deve sê enforcado e ficá na forca até fedê, porque não é brinquedo a bobage que ele bota em voça Sinhoria de tudo nome feio e eu já quiz dá nelle promordo as injuria que esse tranca diz à sei respeito.
Espero a sua resposta pra meu gunvernu.
No mais pro sê.
Seu amigo e defensô perpetu.
a.Antonio Pire de Oliveira
Dado e paçado no arraiá do Sapecado no dia 28 de Fevereiro do anno de estamos nelle.”

ALMANAQUE SANTO ANTÔNIO. Petrópolis, Vozes. 1995. p. 22.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O Golpe Militar de 1964

Em 1964 os militares, através de um golpe, tomaram o poder em Brasília e mudaram radicalmente a História do Brasil. Naquela época, todos os direitos do povo foram proibidos, havia a Censura Federal que fiscalizava músicas, programas de TV, filmes, peças de teatro etc. Houve grande revolta popular contra a ditadura militar, o que resultou numa grande onda de violência tanto por parte da população revoltada quanto dos militares; mas tortura foi obra exclusiva dos militares, assim como a deportação de artistas. O texto a seguir faz parte de um livro que foi vendido nas escolas no início dos anos 80, de acordo com o referido livro, o autor defende a posição tomada pelos militares, considerando-a como um ato heróico para trazer de volta ordem e a paz ao país. No livro não conta a cidade onde foi publicado, mas deve-se tratar de alguma cidade mineira, pois faz alusão ao referido Estado. Leiam o texto na íntegra e vejam como um defensor da ditadura tenta enganar a população e esconder o que realmente se passava no Brasil no período da ditadura (1964-1985). Eis o texto:

REVOLUÇÃO DE 31 DE MARÇO DE 1964

O movimento militar de 31 de março de 1964 é, sem dúvida alguma, o mais recente grito de revolta dos brasileiros, que a exemplo de seus antepassados, quiseram uma Pátria livre. O descontentamento que acabou por dar origem ao movimento revolucionário, iniciou-se quando o presidente do Brasil, Jânio da Silva Quadros, tomou algumas atitudes esquerdistas, principalmente quando condecorou o revolucionário cubano Ernesto Che Guevara. Isto causou um grande impacto em toda nação. Jânio Quadros renunciou ao poder a 25 de agosto de 1961. Para substituí-lo assumiu a presidência o vice-presidente João Belchior Goulart. Este foi ainda mais infeliz no governo. Levava o país ao caos, gerado por desordens. João Goulart com alguns partidários seus, como Leonel Brizola e Miguel Arrais e o próprio Ministro da Guerra, por ele escolhido, Jair Dantas Ribeiro, não escondiam mais suas tendências comunistas, como deixaram bem claro, no comício realizado a 13 de março de 1964. Contava também com a solidariedade do presidente da CGT. O país estava sendo agitado constantemente por greves, revoltas e passeatas estudantis, às vezes por motivos bem fúteis. O custo de vida subia assustadoramente e os brasileiros não se sentiam seguros. Não era possível que a situação continuasse. Então, homens de fibra como o Gen. Humberto de Alencar Castelo Branco, o General Olímpio Mourão Filho, General Cordeiro de Farias, General Costa e Silva, General Justino Alves Sampaio, General Ulhoa Cintra, General Ademar de Queiroz, General Amauri Kruel deram asas ao movimento revolucionário que antes já vinham tramando sigilosamente. Tomou ímpeto o movimento, após o problema dos marinheiros revoltosos que não acataram ordens do Ministro da Marinha. Este recorreu às forças do Exército para prendê-los.
O presidente do país colocou-se ao lado dos marinheiros e através do Sr. Darci Ribeiro, deu a entender que o assunto era somente da alçada da marinha, deixando de fora as forças do Exército. Demitiu o Ministro da Marinha, substituindo-o pelo Almirante Paulo Mário que também o apoiava. Este desafio às Forças Armadas, feito pelo presidente João Goulart, ocorreu a 26 de março de 1964. A paciência da Forças Armadas esgotou-se. Inúmeras eram as desordens que eles já haviam verificado nos sindicatos e órgãos do governo. Então, o Exército Brasileiro levantou suas armas. O General Olímpio Mourão Filho, Comandante da 4a Região Militar de Minas Gerais, reuniu suas tropas e partiu para a Guanabara, para enfrentar o 1o Exército que defendia o Presidente. Este teria sido inevitável e o sangue teria jorrado, sacrificando inúmeros brasileiros, se o 1o Exército não tivesse aderido à causa dos revoltosos. Quando isto aconteceu, o Presidente João Goulart fugiu covardemente para o Uruguai. Tomou posse em seu legar assumindo a Presidência da República, o Presidente da Câmara dos Deputados Raniere Mazzilli. A revolução de 31 de março de 1964 inaugurou uma nova fase na política brasileira, reimplantando o regime da ordem, da disciplina e do progresso. Os grandes ideais de liberdade foram restaurados por civis e militares, num movimento incruento, dentro da ordem e respeito às leis e autoridades, preservando a Pátria também, de um perigoso processo de desagregação. Após Raniere Mazzilli, assumiram a Presidência: o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, eleito pelo congresso, Marechal Artur da Costa e Silva, Emílio Garastazu Médici, Ernesto Geisel e o atual presidente João Batista de Figueiredo. Dos civis que mais lutaram pela reconquista da ordem em nosso país, sendo taxados de inteiramente revolucionários, temos a lembrar o nosso inesquecível governador Magalhães Pinto, Danilo Moreira, deputado, que através do rádio e televisão levantava o espírito de Minas. Osvaldo Pierucetti. Não podemos esquecer os militares de Belo Horizonte como: Comandante Carlos Luiz Guedes, da 4a Região e o Comandante José Geraldo, da Polícia Militar.

CARVALHO, Geraldo Magela de. Atlas Ecos de Conhecimentos Gerais. [S. l.]: Ecos, [1981 ou 1982].